O Hormônio do Amor – Ocitocina

Um bebê é gerado através da união entre duas pessoas. Através de um momento intenso, íntimo de amor e de prazer. Durante a relação sexual, parto e amamentação, que são momentos relações, trocas e amor, estão envolvidos hormônios como a ocitocina, conhecida como o hormônio do amor e as endorfinas, que são hormônios do prazer e analgésicos naturais. Durante a relação sexual a ocitocina chega a seu pico no momento do orgasmo e tem como função a ejeção do esperma e na mulher as contrações uterinas que fazem movimentos no sentido de trazer o esperma para dentro do útero para haver a fecundação. Também são liberados altos níveis de endorfinas, que são similares à morfina, e promovem a sensação de prazer e dependência, como se fosse uma recompensa para a sobrevivência e perpetuação da espécie.

A ocitocina no trabalho de parto

Durante o trabalho de parto a ocitocina tem como função provocar as contrações uterinas que dilatarão o colo do útero, e permitirão a saída do bebê. A ocitocina tem seu pico logo após o parto, sendo que esse hormônio induz o comportamento maternal. As endorfinas durante o trabalho de parto servem como analgésicos naturais e tem seu pico também logo após o parto, gerando um estado de relaxamento, prazer e também de dependencia mútua entre mãe e bebê. Esse momento logo após o parto é reconhecido como um momento único e de extrema importância para o estabelecimento da relação entre mãe e bebê.

A placenta é o órgão pelo qual todos os hormônios circulam entre a mãe e o bebê. Baixe o ebook: “O Parto Natural e a Placenta”.

A função da entrega na produção hormonal

Esses hormônios são o oposto da adrenalina que é liberada quando você está com medo, assustado ou preocupado, deixa a pessoa alerta em caso de necessidade de lutar ou fugir. Durante uma relação sexual o casal precisa se entregar para o momento, estar em lugar íntimo, luzes baixas, onde possam curtir o momento, emitir sons, trocar carinhos e chegar ao momento auge, o orgasmo, o êxtase. Imaginem se nesse momento há alguém que está observando, ou pressionando… “Vamos lá, você está quase lá” ou “Não é assim que se faz, fique naquela posição” ou “Não grite!”, nessas circunstâncias torna-se muito difícil para a pessoa conseguir relaxar e chegar ao êxtase. O parto é da natureza sexual, uma mulher em trabalho de parto emite sons muito semelhantes aos sons, gemidos, gritos que são emitidos durante uma relação sexual. O bebê sai do útero materno, passa pelo canal vaginal e estimula os órgãos do prazer, a mulher pode sim ter uma experiência maravilhosa, um parto orgásmico, prazeroso se ela estiver em um ambiente propício, sentindo-se segura, onde ela se entregue e possa transcender, permitindo que a transformação aconteça em seu Ser para tornar-se mãe.

As circunstâncias em que o parto acontece são muito importantes para que aconteça essa orquestra hormonal. Muitas intervenções que acontecem durante o parto acabam intervindo no processo natural do nascimento, reduzindo a liberação desses hormônios dificultando a vivência plena, o êxtase, a sensualidade e o prazer do parto, além de oferecer menos segurança para a mãe e seu bebê.

A adrenalina é somente liberada nos momentos finais do trabalho de parto, como uma injeção de energia, por isso que as mulheres têm a necessidade de se agarrar em algo, ficar na posição vertical, gemer, empurrar o bebê e estão alertas logo que após o parto para proteger seu bebê de eventuais predadores. Deixa também o bebê alerta, com os olhos abertos para reconhecer sua mãe e sua mãe o reconhecer. Muitas mulheres têm dificuldade de descansar após o parto, por estarem super alertas e super protetoras, acordando de hora em hora para ver se seu bebê está seguro.

Funções cerebrais e suas influências

Os seres humanos, possuem um cérebro primitivo e o cérebro racional, o neocórtex. O cérebro primitivo, dividimos com os demais mamíferos, e coordena nossas funções vitais e instintivas, estando ativo durante a relação sexual, parto e amamentação. O neocórtex é o que nos diferencia dos demais mamíferos pela nossa capacidade racional e intectual. Quando este cérebro racional está super ativo, ele tende a inibir o cérebro primitivo. Então durante o trabalho de parto ou durante uma relação sexual, qualquer estímulo do neocórtex, estímulo externo, tem efeito inibidor, como luzes fortes, conversa, insegurança, medo, torna mais difícil para entregar-se, desligar-se do mundo externo e entrar nesse outro nível de consciência, ou na partolândia como minha equipe denomina.

A amamentação é também um processo natural e primitivo. É necessária para sobrevivência dos mamíferos. A ocitocina também está presente e atua na saída do leite, quando o bebê suga os níveis de ocitocina estão em alta. O nível de endorfinas chega ao máximo em vinte minutos de amamentação, gerando prazer e relaxamento para mãe e bebê, pois são liberados no leite materno.

Cada vez mais sabemos que quanto mais se respeita a natureza do parto, deixando a orquestra hormonal acontecer, menos arriscada, mais gratificante, plena e transformadora a experiência para mulher e bebê. Quem quiser saber mais sobre o hormônio do amor sugiro a leitura do livro “A Cientificação do Amor” do autor Michel Odent e o filme “Parto Orgásmico”.

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