O Poder Feminino de Parir

Sinto vontade de escrever sobre a nossa história como mulheres, como Deusas! Sim, as mulheres, o sagrado feminino era muito apreciado. A natureza é perfeita quando está em equilíbrio e harmonia. A natureza feminina permite a mulher conceber , gestar, parir, amamentar, ser mãe!

As mulheres, em toda a história da humanidade gestaram e pariram seus bebês com naturalidade. Com a crescente industrialização da sociedade, nascer deixa de ser um processo natural tornando-se também “industrializado”. As mulheres começaram a ter seus bebês cercadas de intervenção, deitadas com as pernas para cima, com um pano impedindo sua visão, sem conseguir ver o seu bebê nascendo, sem poder tocá-lo quando nascia e ainda separada de seu bem mais precioso. A mulher é colocada em segundo plano, quem faz o parto e quem tem o conhecimento é o profissional, a mulher acabou sendo excluída de seu próprio processo de parturição e deixou de se sentir responsável,  apagando seu grande potencial.

Muitas mulheres não sentem mais confiança no seu poder interno de dar à luz. A sociedade em geral, nos inclina a acreditar que as mulheres são máquinas defeituosas, que  precisam sempre de alguém para fazer seu parto, tecnologia, intervenções, medicações. Muitos profissionais tentam fazer disso uma verdade falando: a sua bacia é muito estreita, o bebê é muito grande, o cordão está enrolado, é muito doloroso, você não vai aguentar, a cesárea é melhor, mais moderno… e acaba-se em uma cesárea induzida pelo medo. Com certeza para o médico é muito mais conveniente marcar um dia e horário durante a semana, fazer 6 cesarianas no dia e estar em casa para o jantar, do que esperar pelo início natural do trabalho de parto, que pode acontecer em qualquer dia e horário e pode durar mais de 12 horas.

É como se fosse uma rede que nos impede de ver a verdadeira essência do nascimento, como se vedassem nossos olhos. Muitas pessoas acreditam nos problemas e gostam de falar de problemas. Quando a mulher fica grávida, é alvo de muitas histórias negativas de parto muito mais que as positivas, isso gera cada vez mais insegurança. Se a gestante não está fortalecida consigo mesma e com o processo de parto, ela pode realmente acreditar que ela não é capaz, que seu corpo tem algum problema, que não vai conseguir.

É preciso então abrir as portas e as janelas para a luz do sol poder entrar, se abrir para o verdadeiro e não se apegar a esse pensamento cristalizado de grande parte da sociedade. O medo é fruto do desconhecimento, da ignorância. O que dissolve o medo é a informação. Quando nossa mente clareia e sabemos o que se passa, o medo deve desaparecer e a confiança crescer.

As mulheres têm o poder feminino inato de parir. Esse poder latente é uma brasa, que pode acender e se tornar uma chama, ou se apagar ainda mais. É preciso então soprar essa brasa, fazer ela pegar fogo e isso é algo que a mulher tem que fazer por ela mesma, ela tem que querer e acreditar no seu poder de trazer uma uma nova vida ao mundo, se abrir para uma grande trasformação em sua vida. O processo de parto é profundamente transformador, muitas mulheres relatam se sentir muito mais poderosas e completas depois dessa experiência.

Então é muito importante a mulher se preparar durante a gestação em todos os níveis e trabalhar internamente para sentir confiança em si mesma e na natureza feminina. Existem algumas formas como fazer Yoga, trabalhando consciência corporal e respiração, meditar, fazer grupos de gestantes, exercícios de visualização. A cada dia que acordar visualizar o bebê que cresce na barriga e trazer sentimentos positivos, se imaginar dando à luz. Além disso, ler histórias ver vídeos positivas de parto, se informar e esclarecer sobre todo o processo de parto para ter mais confiança de que está seguindo o melhor caminho. Ter apoio do companheiro e da família também ajuda muito, o companheiro pode ajudar a mulher a se fortalecer com palavras e atitudes positivas, apoio e amor. Se tiver condições de escolher um profissional para acompanhar o nascimento, escolher alguém de confiança para estar ao lado, que ajude e intervenha somente se for realmente necessário e que esteja aberto às vontades da gestante/casal. Se não tiver condições e for para uma instituição pública, procurar estar em sintonia, com confiança e tranquilidade, tendo o apoio de um acompanhante.

A gestante preparada, confiante e consciente tem a oportunidade de expressar o seu poder feminino de parir e dar à luz. Afinal, é só um começo, um bom começo. Nascer consciente pode ser o fundamento para viver consciente.

 

 

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