Qual a diferença entre a Parteira Contemporânea e a Doula?

Escolher quem vai ajudá-la durante a sua gravidez é de suma importância. Mas a escolha de quem vai ajudá-la a dar à luz ao seu bebê é ainda maior.

A maioria das mulheres está familiarizada com o ginecologista/obstetra, mas nem todas sabem a diferença entre a parteira contemporânea e a doula, e como a doula e/ou a parteira podem ajudar durante a gravidez, parto e puerpério.

A Doula

A doula é uma mulher com habilidade para oferecer apoio emocional e físico antes, durante e após o parto. Fornece informações e auxilia a gestante (ou casal) na preparação para o parto e puerpério, contribuindo para que a mulher possa se empoderar, resgatar e fortalecer sua confiança no processo natural de parir.

A doula não faz procedimentos clínicos, e o papel mais importante dela é proporcionar carinho, apoio contínuo e segurança, pois assim aumentam as chances da mulher vivenciar um parto mais prazeroso e com menos intervenções.

Durante o parto a doulas ajuda com medidas de conforto, como respiração, massagem, relaxamento, movimento e posicionamento. Após o parto a doula faz visitas domiciliares oferecendo apoio prático e emocional para a nova família, atendendo desde a amamentação aos primeiros cuidados com o bebê, e assim a mãe pode desfrutar do antigo resguardo do pós-parto com mais confiança, fortalecendo o vínculo com seu novo bebê.

Pesquisas mostram que ter uma doula presente durante o parto (1):

  • Reduz o trabalho de parto/parto.
  • Diminui a chance de cesárea.
  • Diminui a necessidade de medicação para a dor
  • Faz com que os pais participem com confiança
  • Aumenta sucesso na amamentação

A Parteira Contemporânea

Desde sempre as parteiras cuidam de mulheres, mães, pais e bebês. O acompanhamento da parteira, amparado pelo conhecimento tradicional e técnico cientifico, é individualizado e particularmente moldado às necessidades físicas, mentais, emocionais, espirituais e culturais de cada família. Este acompanhamento é feito de forma compartilhada onde a mulher/casal sente-se profundamente corresponsável e realmente participante do processo de gestar, parir e cuidar do novo bebê.

A “parteria” é um modelo de cuidado reconhecido mundialmente através de muitos estudos e é seguido especialmente em países com os melhores indicadores obstétricos, como o Reino Unido, a Holanda, e a Nova Zelândia.

A formação da parteira é baseada em evidência, sendo estas legalmente aptas a realizar o exame clínico durante a gestação, parto e pós-parto, fazendo este acompanhamento através de um olhar integrativo da mulher/ bebê/família que está por nascer. No Brasil estas parteiras podem ter o titulo de enfermeiras obstétricas ou obstetrizes.

A parteira realiza partos em responsabilidade própria e presta cuidados ao recém-nascido. Esse cuidado inclui medidas preventivas como a promoção do parto natural, a assistência apropriada e/ou encaminhamento da gestante/bebê em caso de detecção de complicações e a realização de medidas de emergência.

A parteira tem uma tarefa importante no aconselhamento de saúde e educação, não só para a mulher, mas também de toda a família e comunidade. Este trabalho envolve educação pré-natal e de preparação para a maternidade, estendendo-se à saúde da mulher, saúde sexual/reprodutiva e cuidados infantis.

A parteira contemporânea pode atuar em diversos locais incluindo a casa, comunidade, hospitais, clínicas ou unidades de saúde.

Conceitos-chave do modelo de atenção da Parteria (2)

  • Parceria com as mulheres para promover o auto-cuidado e a saúde de mães, bebês e famílias;
  • Respeito pela dignidade das mulheres como pessoas com plenos direitos humanos;
  • Defesa das mulheres para que suas vozes sejam ouvidas;
  • Sensibilidade cultural, incluindo o trabalho com mulheres e prestadores de cuidados de saúde para superar essas práticas culturais que prejudicam as mulheres e bebês;
  • Foco na promoção da saúde e prevenção de doenças percebendo a gestação como um evento normal vida.

Um grande número de famílias grávidas escolhe ter uma doula e/ou parteira durante a gravidez, parto e pós-parto. Ambas tornaram-se parte integrante do processo de gravidez e parto, auxiliando na chegada do bebê ao mundo da melhor forma possível.

Referências:

  1. Mothering the Mother”, Klaus, Kennell & Klaus de 1993
  2. International Confederation of Midwives